Então eu perdi você totalmente, ou apenas deixei você ir. Não perguntou se eu queria ir, ou se eu queria que ficasse. Eu percebi que você já não fazia parte de mim quando vi meu eu incompleto. As “nossas” músicas já não foram as mesmas desde então, pois vi que sem você pra cantar junto, elas ficavam incompletas. Ao ouvir uma delas meu coração doeu; a cada letra que chegava junto com o barulho dos instrumentos, o meu coração abria uma nova rachadura. Masoquismo talvez. Eu lembrei das tuas palavras, lembrei dos nossos risos baixos de madrugada quando alguém dizia uma idiotice, lembrei das noites em claro que nossos dedos se entrelaçavam e você olhava pra eles e dizia que esses espaços foram moldados para os seus, que nós nos fazíamos inteiros. Eu sentia arrepios quando pensava em você sem mim, você não seria o mesmo. Na verdade, eu não seria a mesma. Você achou alguém que te completasse melhor, eu deixei esse amor criar raiz e me sufocar. Eu sempre soube que promessas eram quebradas, mas o jeito que você prometia fazia eu acreditar mais uma vez. Nós fomos mais um para sempre com prazo, infelizmente. Eu te deixei caminhar sozinho, saí do seu abraço que me prendia frouxamente, a maneira que me fazia sentir segura assim mesmo. Agora você dorme sobre os carinhos de quem? Quem canta pra você e te faz promessas? As minhas ainda estão guardadas, prontas a serem cumpridas, basta você olhar para trás; mas acho que isso já não é possível. Quando eu caía, você me levantava inteiramente e dizia que iria segurar o mais firme possível, que não me soltaria. E agora, quem você segura? Você falhou da forma mais estúpida. Você não cumpriu. Perdi você faz tempo, mas só agora vi que não há volta, aceitei uma perda imensa dentro de mim, amor. Você não ficou aqui…. pra sempre.
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