Se tu quiseres um bom aconchego, eu te arrumo um cobertor felpudo e te ajeito do lado esquerdo da minha cama. Se tu quiseres uma caneca quente de chá, eu te preparo com o maior carinho a minha ultima embalagem de chá na minha caneca preferida. Se tu quiseres um ombro para chorar, eu te ofereço o meu ombro -meio desconfortável- para tuas doces lágrimas. Se tu quiseres uma panela de brigadeiro, eu te faço um bolo de chocolate e te lambuzo com a calda. Se tu quiseres uma mão para segurar, eu te ofereço as minhas duas mãos. Se tu quiseres um relógio novo, eu uso da minha economia deste mês para te comprar o relógio mais bonito da loja. Se tu quiseres trocar o meu filme de romance por um de tua preferência, eu assistirei junto contigo. Se tu quiseres um novo cãozinho, eu te ajudo a cuidar. Se tu quiseres um lugar quentinho para te acomodares, eu te ofereço o calor do meu corpo. Se tu quiseres um colo para deitar, eu sento do jeito mais confortável -mesmo que seja completamente desconfortável para mim- para tua cabeça encostar. Se tu quiseres que eu busque água para ti no meio da noite, eu levantarei todo sonolento e pegarei um copo d’água para tua boca seca. Se tu quiseres um pouco mais de ar, eu te ofereço o meu ar. Se tu quiseres te embolar no nosso cobertor no meio da noite, eu pegarei um outro cobertor para mim. Se tu quiseres o controle da tevê do outro lado da sala, eu o pegarei. Agora, se tu quiseres um outro chá, uma outra boca, um outro colo, um outro aconchego, um outro ombro, uma outro alguém, eu não poderei te oferecer nada, a não ser a porta de saída.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
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